terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Água Contida


E você vai guardando dentro de si,

Tudo o que não quer ver, tudo o que não quer que ninguém veja

Toda Dor

Todo Desespero

Toda Angústia

Todo Sofrimento

Você guarda, aos poucos, e cada vez

e mais e mais

Até que chega em um ponto aonde você não vê quando isso começou

E nem consegue ver aonde isso vai ter fim

Perdido nesse mar represado águas escuras

Será que conseguirei não me afogar? Que vou conseguir nadar para fora daqui

Será q a luz do vaga-lume consegue atingir águas turvas?

Tenho que acreditar que sim

Quero acreditar que sim

Porque vou guardando mais e mais...

“Para quem está no fundo do poço, na mais completa escuridão, um vaga-lume é um farol”

Texto dedicado a todos meus que tem água contida em seus corações, que eles não cheguem a esse ponto ou que que a luz do vaga-lume sempre os alcance

terça-feira, 25 de outubro de 2011

O expectador de Peter Pan


Para onde vai, ó grande Peter? Por que corre? Por que voa? Por que não cresce? Onde estão suas conquistas, suas vontades? Onde está seu tesouro? Sua Sininho e sua Wendy?
Por que não cresce, ó pequeno Peter? Não evolui, não anda para frente, não se transforma?
Por que és garoto, Peter, por que és garoto.
Para onde foram suas lagrimas? Seu sentimentos? Por que és oco?
Por que foges, escondes, desrespeita, afasta?
Para onde vais? Quem és? Por que não responde as perguntas?

És mudo, cego e surdo.
És criança, tola e burra.
És pequeno, fraco e indefeso.
És feio, indigesto e suculento.
És oco, vazio e negro.
Um mero expectador de tudo o que lhe acontece.
Uma mera criança que não desejar crescer,
uma mera criança que não vai vingar.
Eres uma semente morta, plantada em planície estéril.
És a visão do cego.
És o calor do abismo.
És o rumo dos tolos.

Para onde vais? Ó pequeno Peter

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Given Up

Should I just give up? Pretend it was ok, that I did everything I could to protect something precious to me? Should I focus on the real things, the real challenges, the real friends, the real life?
Or I am just fooling myself by writting this? Will I ever recover from another give up?
Is there a reason to fight? A hero to be? A person to discover?
Or just a big hole, where should be just lying my hearth...
Shoul I just give up?

domingo, 2 de outubro de 2011

São como se tudo fosse em vão

São como facas
Facas que entram em meu peito
Facas que nublam meu pensamento
Facas que se alimentam de meu anseio

São como dias de chuva
Um belo e terrível acontecimento
Um apagão de meu esclarecimento
Um manhã de sol perdida

São como pérolas aos porcos
Pensamentos indigeridos
Ideias jogadas ao relento
Falas que não quero proferir

São como minha confiança
Traída, jogada, rasgada
Moída, triturada, desdenhada
Perdida

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Manifesto dos Sem-coração



Tenho vontades, tenho sonhos, tenho desejos e acima disso não tenho uma coração.
Ele me escapa, foge, se esconde, arma-se, fica de tocaia e não volta.
Sem ele minhas vontades enfraquecem, caem famintas no chão estéril dos campos de asfódelos.
Quero voltar a viver, mas não posso, não consigo, tenho preguiça. Não vivo.
Quero voltar a sonhar, mas não consigo, me escapam em mais um vórtex insano. Não sonho.
Quero ver a luz, mas ela é distante, cansativa, doem-me os olhos. Não vejo a luz.
Anseio pelas trevas, mas eles não são presentes, não me confortam. Não descanso.
Anseio por mudança, mas elas demoram, se arrastam e morrem. Não mudo.
Anseio por liberdade, mas o ideal não me acude, não me conforta. Não sou livre.
Estou sem coração, sem vontades, sem energia, sem nem trevas a me tragar.
Sou um Sem-coração e assim vivo... Um eterno grito de desespero entalado na garganta.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Uma Flor Roxa


Sabem pra mim o amor é como uma flor, pra nascer basta uma sementinha
Mas para crescer precisa de cuidados, pra poder criar raizes e perdurar
Se ela for deixada ao leu, sem nenhum aprecio pode ser ums bela especime
E mesmo assim irá começar a murchar, pouco a pouco
Lutando pela vida
E mesmo abandonada se agarra as gotas de água que caem sobre si
Tentando mas do que tudo se manter
Esse esforço pode durar mais algum tempo, porém logo logo
Ela não irá aguentar mais e se cansará de lutar deixando seu ciclo recomeçar
A esperança ainda resta, já que dizem que ela é a última que morre
Ainda que não tenha mais muito tempo, não malcuidada desse jeito
Quem sabe a chuva ainda virá?
Enquanto isso essa flor espera, sem mais cor nem brilho
Mas viva...
"Coração masoquista por que não para de se ferir? Quem sabe não quer afogar as esperanças em seu sangue"
"Para quem está no fundo do poço, na escuridão total, um vagalume é um farol"

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Pergaminhos do Conselheiro [2]

Sou Miro Greenshell, conselheiro do Reino Élfico do sul. Um ataque de largas escalas ocorreu a cerca de uma semana. Drows, os primos malditos dos elfos, e inimigos de todas as formas de vida boas. Nossas sentinelas avançadas avistaram seu batalhão se deslocando para Elesyas – a capital do reino – eram cerca de mil drows e todos combatentes treinados para matar e destruir. A Guarda Real foi convocada, e a Divisão Arcana disponibilizou alguns de seus melhores magos e feiticeiros para fazerem parte do batalhão. Fui convocado, nossos grandes mesteres ficariam descansando na capital caso o grupo fracassasse – sabíamos que havia possibilidades, e fui um dos conselheiros que votou a favor da permanência das maiores forças na capital. Rainha Lia foi veemente oposta a ideia, mas o conselho decidiu a questão.

Precisávamos de um líder, e milord Luren lideraria a expedição. Os drows estavam próximos e saímos da segurança dos limites mágicos da cidade para combatê-los. A batalha foi ferrenha, magias e flechas cruzam os campos – mais mortais que muitas laminas – e as espadas se chocavam rapidamente nos combates de corpo-a-corpo. Os drows eram adversários a altura, mas mesmo assim a batalha pendia para o nosso lado. Eu não me lembro de quantas magias eu lancei, ou quantas ordens gritei para nossas tropas. Lembro somente de estar esgotado no meio da batalha. Foi então que vi aquilo... E minha Herança despertou.

Lord Lauren estava caído. Cinco drows ao seu redor com as espadas levantas, compreendia a situação em um instante: eles haviam subjugado nosso rei pelo número (vi corpos de outros quatro perto do circulo. Um deles levantava a espada para o golpe final, os outros quatro mantendo alguns poucos combatentes afastados, e eu corri. Disparei das linhas de magos, recebi um corte feio no braço mas não me importei. Algo pulsava dentro de mim, minha magia aumentando, sendo preenchida de magia selvagem e me senti forte.

Gritei para o drows, ou pelo menos foi o que achei ter feito. O que saiu não foi som, mas um jato de ácido que feriu o drow com a espada levantada. Eles se viraram e me viram correndo... Alguns até riram... Levantaram as espadas e o resto é névoa... Minhas lembranças são confusas em meio a gritos de dor, magia explodindo e raiva em meu ser. Quando voltei ao estado normal de consciência estávamos de volta a linha dos magos. O rei era tratado por um clérigo e todos me olhavam com espanto, Lord Lauren fez um gesto para que me aproxima-se. Dei um passo e desmaiei.

Acordei uma semana depois, em meus aposentos no palácio. A batalha havia acabado a muito e havíamos vencido, porém as baixas causavam dor em todos. Rainha Lia estava ao meu lado, e viu milhares de perguntas em meu olhar. Lembro-me de ela abaixar a cabeça, uma lágrima escapar de seus olhos antes de levantar a face e me contar a história.

A história sobre um povo antigo e poderoso. Híbridos. Metade dragão, metade elfo e tão ou mais poderosos que ambos. Nascidos da mais pura magia em circunstancias especiais, e formados no ventre de elfas. Eu era o único exemplar vivo daquela espécie, os dragões não costumavam acasalar com elfos. Minha mãe havia vivido sua grande história de amor com um Dragão Verde, meu pai... Rainha Lia sabia que ele era e disse que havia passado a hora de conhecê-lo.

Tive uma semana somente para absorver a impactante noticia. De uma hora para outro meu mundo virava de cabeça para baixo e me senti só... Era o único da minha espécie, um capricho da magia dos dragões. A semana se passou exageradamente lenta, foi a pior e ao mesmo tempo a melhor semana da minha vida. A pior, pois em meio a pensamentos tenebroso minha Herança se agitava e deixava minha magia descontrolada e selvagem. A melhor, pois finalmente iria conhecer meu pai.

Finalmente o grande dia chegou... Ao pôr-do-sol meu pai chegou voando, as grandes asas fazendo sombra ao sol. Um imenso cometa jade descendo nos jardins do palácio, enquanto pousava sua se alterou e me vi diante de um belo homem. Tínhamos os mesmo olhos verde esmeralda, o mesmo cabelo castanho ondulado e, quando sorrimos um para o outro – os olhos marejados pela emoção – percebi que tínhamos o mesmo sorriso. Andamos timidamente um em direção ao outro, e em um súbito instinto nos abraçamos. Me senti completo, feliz: eu conhecia meu pai.

 Miro Greenshell, filho de Adamantis, Herdeiro da Dinastia Esmeralda

Baseado na obra de Julia C. - Diário Medieval